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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lumbini

 

Para os mais de um bilhão de budistas espalhados pelo mundo, Lumbini, um vilarejo a 22 km de Bhairahawa é onde tudo começou. O local do nascimento de Buda é considerado o local histórico mais importante do país, não apenas por ser o berço do budismo, mas também por ser o centro da mais significante descoberta arqueológica do Nepal; ruínas de trezentos anos antes de Cristo.

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Com o apoio das Nações Unidas, um parque religioso, dedicado ao budismo foi construído no local. Apesar da obra inacabada o projeto inclui monastérios, jardins, fontes e uma vila turística, que também ainda não existe. O Jardim Secreto, onde existem os tesouros arqueológicos, associados ao local de nascimento de Buda é de uma energia incrível. É possível passar o dia todo pelos seus jardins, meditando sob as árvores e absorvendo a intensa atmosfera de paz do lugar.

Outro passeio muito gostoso é uma caminhada pelos monastérios, fundados por países da comunidade budista de diferentes partes do mundo, em especial Ásia e Europa. A proposta é muito bacana, alguns desses monastérios disponibilizam dormitórios para peregrinos a um valor bem mais rasoável, como é o caso do Korean Monastery, ainda em fase de construção. Vários monastérios estão de portas fechadas, uns ainda em construção, já os antigos, já iniciaram um longo processo de reforma pois a verba parece ser curta.

Lumbini fica próxima à divisa com a Índia. O comportamento das pessoas me pareceu ter mais influência indiana do que nepalês. Confesso que fiquei assustada com a miséria e o cáos na terra de Buda. Para temperar positivamente essa impressão tivemos a sorte de presenciar um encontro de monjes e budistas dentro do parque. Apesar de  não entendermos a dinâmica do evento, nos pareceu que estava acontecendo um ritual de iniciação de monjes. Ao som de belíssimos mantras, por horas, os participantes de diferentes escolas meditavam sob uma frondosa árvore. Nos sentimos muito honrados em fazer parte desse momento.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Zig zag a caminho de Lumbini

Depois de uns dias bem gostosos em Pokhara, resolvemos partir para Lumbini no sul do Nepal, na divisa com a Índia.Lumbini é a cidade onde Buda nasceu, há cerca de 2500 anos, e hoje um dos pontos mais sagrados da religião.

No Nepal há duas formas bem distintas de viajar, uma por ônibus turísticos, que lembram muito os ônibus econômicos do Brasil, e a outra, através dos ônibus públicos. E como já nos tornamos bem locais, embarcamos na segunda opção.

Sem dúvida essa é a melhor forma de se conhecer os ‘verdadeiros’ nepaleses, e ver a vida como ela é. Mas nem tudo são flores, o processo pode ser bem sofrido. Normalmente, são veículos bem antigos, desconfortáveis e projetado para carregar pessoas com pernas bem menores que as minhas e as vezes até menores que as da Thaís. É mole? Daí, já viu, conforto zero.
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Não só isso, devido ao poder aquisitivo baixíssimo da população local, a única forma de viabilizar a maioria da linhas é através de super lotações, e os ônibus viajam na maior parte do tempo com duas ou até mais vezes sua capacidade. E adivinhe, desta vez não foi diferente.

Eu passei um terço da viagem dividindo um banco para dois passageiros com um homem e seu bebê de colo, o outro terço com uma mulher e uma criança de 10 anos e o trecho final fui em pé pois entrou uma senhora mais velha no ônibus e ninguém se manifestou para ceder o lugar. Sobrou então pra mim, provavelmente a pessoa mais alta da viagem (os nepaleses não são o povo mais baixinho que já conheci) para ir em pé no corredor, todo tortinho…
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Mas tudo é festa e a cena era tão engraçada que os locais se divertiram vendo o ‘espigão’ todo torto.
Um outro problema, provavelmente o maior de todos é o percurso, que apesar de ser uma das estradas mais bonitas que já conheci (não tive como fotografar pois estava muito apertado para tirar minha máquina da mochila) é super perigosa, bem estreita, a beira de vales altíssimos e formada somente por curvas, sem brincadeira, não lembro de nenhuma reta.

Imagine um liquidificador que cabe 20 pessoas, agora imagine que foram socadas 40 pessoas neste liquidificador e que além de bater em círculos, ele balança para cima e para baixo. Pois é, este é o sentimento dentro do ônibus. Não há ser humano que aguente. Quer dizer, eu e a Thaís até suportamos a viagem bem, mas os moradores locais não foram páreos para a aventura e, diria que provavelmente, 20 por cento do ônibus chamou o ‘Juca’ durante a viagem.

Se não fosse dramático seria engraçado, o cobrador fica todo o percurso distribuíndo saquinhos plásticos e cada pessoa tem um técnica diferente para dar a ‘gorfada’, uns são tão discretos que passam despercebidos, outros apoiam no parceiro, e alguns mais espaçosos pedem licença ao passageiro da janela antes da explosão final… ufa. Surreal.

Mas beleza, depois de 200 quilômetros percorridos em 8 horas, chegamos a Bhairawa, 20 quilômetros de Lumbini, agora é melzinho na chupeta. Só mais um taxi e em uma hora chegamos no nosso destino final.
Cansados, destruídos, mas vivos e felizes. Só falta energia para escrever sobre Lumbini, mas pode deixar que amanhã tem mais sobre a terra de Siddhartha Gautama.

Breaking news!! Antes que eu me esqueça. Após a Thaís aguentar firme à viagem de ônibus, foi só chegar na cidade que ela sucumbiu aos poderes da montanha e chamou o ‘Juca’. Mas pelo menos já estávamos no nosso destino final. Well done Thaís!