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domingo, 2 de janeiro de 2011

Safari de camelo

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Chegou o grande dia. Visitar o Rajastão, estar em Jaisalmer exige um safari de camelo. Não existe maneira mais original e divertida para se ter uma amostra da vida real no deserto.

A competição entre os organizadores de safari é grande, certamente os fatores preço e confiança, são levados em consideração. Como nosso tempo está curto, decidimos fazer o safari de um dia. Partimos de Jaisalmer por volta das 8h30 da manhã de jipe, rumo a um ponto de encontro, já nas bordas do Great Thar Desert (Deserto Grande Thar) com a trupe de quatro patas e seus donos. A maioria das agências apenas organiza o passeio e terceiriza o time dos condutores de camelo, de acordo com a demanda.

Ficamos um pouco surpresos com a grande quantidade de gente neste safari. Nossa turma foi composta por 14 pessoas: 2 americanos + 2 belgas + 2 brasileiros :-) 2 canadenses + 2 franceses + 2 ingleses + 1 holandês + 1 japonês. Além é claro da turma do deserto. E por comum acordo entre o grupo, seguimos juntos, numa peregrinação super animada. Parece que a maioria dos grupos costuma se separar para vivenciar a aventura com mais quietude.

O primeiro momento, como em qualquer situação é aquela parte de adaptação. Afinal, não é todo dia que cruzamos com essas figuras quase jurássicas e extremamente dóceis – isso a gente só descobre depois, hehehe… Pois bem, quebramos o gelo, fizemos amizade, filmamos, tiramos foto, enchemos o tanque de água, nos lambuzamos de protetor solar. Chapéu na cabeça e óculos de sol. Engraçadíssimos, típicos turistas em busca da aventura perfeita.

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Hora de subir no ‘bichinho’. Começa aí o primeiro desafio! Não sei se vocês já observaram, mas o camelo é um bicho alto. Tudo bem que ele é bem educadinho e abaixa pra gente subir, mas mesmo assim… Segunda parte, o camelo tem que levantar, é claro. Aí é; ‘segura peão’! Um arranco daqueles, mas tudo bem. Logo começa o trote. Hum… nada mal. Até que não é tão difícil. Tudo bem que rasguei um pedaço do dedo de tanta tensão segurando na montaria.

Após uns 20 minutos, já fizemos uma paradinha pra visitar uma vila. Ai foi aquele friozinho na barriga quando o bichão tem que abaixar pra gente descer. Essa vida de turista não é fácil, fico imaginando como a turma do deserto fica dando risada da gente.

Pra nossa surpresa, já que esperávamos as dunas de areia do Maranhão, o deserto do Rajastão é árido, com vegetação rasteira, uma árvore aqui e outra ali, umas até meio tortinhas como as do cerrado.

A ‘cavalgada’ foi pura diversão. Quem vê aquele bichão não imagina que doçura, tirando a altura, até parecia que estávamos na ‘cacunda’ de um cavalo mesmo. Pois bem, chegou a hora do almoço. A turma ‘cameleira’ super prática, já desfez a tralha, fez fogo, cortou cebola e vegetais num piscar de olhos. Depois de sapearmos a cozinha, nos mudamos para a ‘sala de estar’ dos turistas.

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A conversa foi regada a chazinho, ouvindo histórias de mochileiros dos quatro cantos do mundo. Enquanto isso, sombra fresca e os divertidos camelos, felizes da vida, curtindo seu momento de liberdade. De repente, o almoço ficou pronto; um cozidão de vegetais ao curry com macarrãozinho noodle (estilo ‘unidos venceremos’, hehehe…) e até um chapati quentinho.

Pois bem, barriga cheia pé de camelo na areia. Tivemos ainda uma pernada de umas duas horas, quando chegamos no nosso QG… depois de tanta planitude, veio o bônus, alcançamos as dunas, onde assistimos de camarote um belíssimo pôr-do-sol.

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Depois do jantar, encerramos a noite com fogueira, muito bate-papo e músicas típicas do deserto. Dormimos sob a luz das estrelas. Tirando o frio da madrugada foi tudo lindo! Um programa simplesmente I N E S Q U E C Í V E L…

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Ficamos super satisfeitos com nosso time de condutores de camelo. A empresa chama-se Ganesh Travels e parece trabalhar como uma cooperativa, onde os condutores são proprietários de seus animais. A mesma fica localizada dentro do Forte ganeshtravels45@hotmail.com Telefone: +912992250138

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Safari de camelo a vista? Lista de sobrevivência: Calça e blusa de mangas compridas, papel higiênico, protetor solar, óculos de sol, garrafa de água e porta garrafa com alças, frutinhas para tapear a fome ao longo do dia, saco de lixo e, se tiver, um saco para dormir para tornar a noite mais agradável.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A aventura continua

Cocorococóóóóó!!!
Não posso acreditar que já é hora de acordar. O plano é chegar em Petra as 7 da manhã, e curtir um pouco o sossego da manhã, já que os ônibus turísticos chegam à partir das 8h. Assim fizemos. Descemos pelo vale de pedras ao eco das carruagens e tivemos alguns instantes de Petra só para nós e o melhor, bem cedinho é possível  tirar algumas fotos sem turistas espalhados pelos quatro cantos. Um verdadeiro luxo.
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Com essa perspectiva de foto de cartão postal, fizemos outra paradinha obrigatória no Tesouro. Conseguimos até um par de mãos extra para tirar uma foto nossa. Não saiu bem o desejado, mas com certeza, já valeu o momento. De lá, fomos rumo ao Teatro Romano. Mesmo sob ruínas, suas proporções impressionam. Passamos ainda pelas Tumbas Palacianas, Qasr al-Bint que é outro belíssimo ponto de ruínas romanas, onde fui fisgada por uma pequena ambulante que me vendeu uns postais meio fora de moda do parque. Ela desempenhou seu papel de vendedora tão bem, que eu não resisti…
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No final dessa reta, passamos pelo Museu Nabateu que na verdade,compreende apenas um ‘ambiente’ dentro de uma edificação rochosa. Esta sala possui um pequeno acervo de objetos, ou o que restou deles, em cerâmica ou pedra, da época do reinado Nabateu. Um momento na história em tempo real, em pleno deserto, não poderia ser mais inspirante.
Pausa para o descanso, recarregar as baterias, beber bastante água porque a próxima super parada do dia seria no Monastério. O ‘tal’ que foi construído beeeem no alto das montanhas. Se a caminhada do dia anterior já tinha sido um desafio, fiquei só imaginando o que estava por vir. Já tinha ouvido da turma de ‘taxistas locais, que a subida seria uma hora de caminhada, ou 20 minutos no lombo da mula.
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Dá-lhe mula subindo o morro, não tem pra ninguém. Para cada grupo ou indivíduo, um beduíno faz o mesmo percurso, para tocar a mula com sua varinha ‘mágica’ e evitar os tradicionais empacamentos’. E o trânsito desses degraus é  bastante intenso. Mula sobe, mula desce, paradinhas ‘SOS humanas’ para descanso, água, fotografia e por ai vai…
E os danados dos beduínos parecem uns cabritinhos. A gente alí suando, morrendo pra subir aquilo tudo e eles saem gritando, tááááxi!!! Ai todo mundo já entende; sai da frente que atrás vem mula.
E nesse ritmo intenso, a caminhada nem foi tão sofrida. E no alto da montanha, sobe mais, vira e vira… e vem a recompensa. Além de um prédio belíssimo, ainda tivemos a honra de relaxar num ‘chilllout’ típico beduíno, com direito a chazinho e sonequinha. Acaba não mundão!
chillout

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Piriri no Deserto

Deserto entre Síria e Jordânia



Damascus foi inesquecível, mas temos uma missão a cumprir e hoje enfrentamos o deserto entre Síria e Jordânia para chegarmos em Amã, nossa última parada a caminho de Petra.

O dia tinha tudo para ser intediante e sem nada para contar, mas na verdade foi uma grande aventura. Depois de nos lambuzarmos com todas as goluzemas Sírias, o “reverstrés” era mais que previsível. Acordei a noite com a barriga gritando e pedindo ajuda, não sabia o que fazer e fui meditar no troninho para tentar sanar o problema. Por lá fiquei até amanhecer, só sobrou tempo para enfiar tudo na mochila (ahá - pensaram outra coisa, rs…), tomar umas pílulas ‘tranca-cadron’ e entrar no taxi.

O carro era bem confortável para os padrões do país mas o motora não falava uma palavra em inglês e nosso arabe é pior ainda, mas de certa forma nos entendíamos. Pelo menos durante o período que ficamos juntos…

Saíndo da cidade, paramos num lugar bem suspeito, onde outros três homens nos esperavam, foi tudo muito rápido, tivemos que trocar de carro (agora bem mais velho) e eles, numa operação sincronizada, colocaram nossas mochilas no novo carro e partirmos, tudo durou provávelmente pouco mais de um minuto e estávamos de volta com o nosso amigo árabe a caminho de Amã. Me senti na época da Guerra Fria tentando enganar os espiões inimigos.

A viagem corria bem, minha barriga chorava, mas não me deixou na mão e podíamos curtir a paisagem do deserto que apesar de assustar um pouco era muito bonita.

Um pouco antes da fronteira entre Síria e Jordânia o motorista parou novamente em uma rotatória no meio do nada sem dar nenhuma explicação, até porque não iríamos entender. Passado um minuto tínhamos um novo motorista, que também não falava nada de inglês, nos levando para Amã.

Glup (garganta seca). Olhamos um para a cara do outro com aquele ‘doce’ pensamento  será que eles vão trocar de passageiros na próxima parada? Nada disso. O motora era gente boa e apesar dos monossílabos, foi bem simpático.

Na fronteira começa a bagunça novamente, mostra o passaporte para um, sorri para outro, entra no carro, sai novamente, paga taxa para sair de um país, outra taxa para entrar no próximo, até que descemos todos do carro para que a polícia checasse nossa bagagem e o veículo

Senta que lá vem a história… O motorista comprou no Free Shop mais pacotes de cigarros do que é permitido levar de um país para o outro e começou a enfiar em todos os buraquinhos possíveis do carro. Não satisfeito, deixou uma sacola extra junto à nossa bagagem, como se a compra fosse nossa. Ficamos naquela, avisamos o guarda, fingimos que era nosso… No final resolvemos ficar em cima do muro, se o guarda perguntasse alguma coisa, sorriríamos como se não estivessemos entendendo nada, e só num último momento se ele insistisse muito para saber quem era o dono dos cigarros, falaríamos a verdade. A tática deu certo e nossas caras de paisagem foram suficientes para convencer o guarda. Ufa…

Tudo certo até agora. Depois disso, o motorista ‘só’ parou novamente para pegar um desconhecido que estava pedindo carona no meio do deserto (é assim mesmo, os sírios são super receptivos e gostam de ajudar uns aos outros)  e então, chegamos são e salvos em Amã. Hora de voltar ao troninho e se preparar para Petra.