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sexta-feira, 11 de março de 2011

Nós viajamos. E você?

Deli foi o primeiro destino em terras indianas. Mencionamos alguns bons momentos mas faltou citar (entre várias coisas) o Kunzum Travel Cafe, um charmoso cafezinho ponto de encontro da turma mochileira que aterrisa na capital ainda sem muita idéia do que vem pela frente.

Um espaço onde os viajantes se encontram no mundo real e não em redes sociais para conhecer gente dos 4 cantos, fazer intercâmbio da estrada, pesquisar a próxima etapa da viagem, checar as finanças, ou simplesmente tomar um chá com internet de graça. A proposta foi iniciada pelo fotojornalista Ajay Jain, que teve sua inspiração vinda dos cafés para mochileiros que visitou durante suas viagens a lugares como Dharamsala e Ladakh.

Os visitantes também são encorajados a compartilhar suas histórias de viagens, histórias, experiências, imagens e vídeos no kunzum.com, uma página de recados disponível na web. Uma biblioteca bem abastecida é a base de referência para a próxima parte da viagem, incluindo guias, livros, revistas e relatos de viagem.

Empresas de viagens disponibilizam seus catálogos no local, além de livros e arte fotográfica publicados pelo próprio Kunzum. A melhor parte: você não é obrigado a comprar nada. Não há preço definido para o café, chá e biscoitos que compõem o pequeno menu. Em vez disso, os clientes simplesmente deixam uma contribuição na caixa de doação. Simples assim.

A idéia é permitir que as pessoas passem tempo no café sem a obrigação de gastar dinheiro. Não deixe de explorar a região de Hauz Khas Village, repleta de galerias de arte, lojas de antiguidade, restaurantes e lojas descoladas.

www.kunzum.com
T-49, GF, Hauz Khas Village, New Delhi 110 016, India
Horário de funcionamento: Terça a Domingo das 11h – 19.30h
Telefones: +91.11.2651 3949 +91.9650 702 777

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Doce Anwita

Há dias venho quebrando a cabeça pensando no que escrever sobre um dos nossos melhores presentes em terras indianas. Um presente chamado amizade, e parece ser da boa, daquela tranquila e sem cobranças no final do mês e que, não pára de crescer.

Conhecemos Anwita em Londres através da querida amiga Andrea Park. Ambas estudantes de mestrado em Design de Tecido no badalado Chelsea College of Art. Um curso bastante desafiador, caro e elitista, mas também repleto de seres humanos interessantes, onde brotou a amizade fusion Brasil-Coréia-Índia. E mais adiante nessa história, depois do curso concluído e muita água ter passado debaixo da ponte, nós felizmente, tivemos a oportunidade de pegar carona nessa amizade.

Anwita deixou a Índia em 2008 rumo a Londres para se especializar na arte dos tecidos. Dona de um portifólio belíssimo, não foi tarefa difícil ser aceita na pós-graduação. O  mais complicado nessa história certamente foi sobreviver na selva de pedra londrina. Vida de estudante imigrante não é brincadeira… é preciso abrir o coração para assimilar uma cultura diferente, saber lidar com a distância, a falta de dinheiro, saudade e a pressão do curso. Mas certamente a possibilidade de estudar numa das melhores escolas do Reino Unido, supera qualquer dificuldade.

Anwita é uma guerreira Hindu, dona de olhos misteriosos  e apaixonantes. Guerreira contemporânea, uma artista que nasceu numa das sociedade mais tradicionalistas e fechadas da era moderna. Ser mulher com voz ativa e ter poder de escolha num mundo machista é uma missão quase impossível, muitas vezes com final triste. No caso dela, ainda muito jovem, foi preciso fazer uma escolha. Essa é a história… filha de ex-militar, vinda de uma família Hindu super tradicional, com direito a linhagem, casta e casamentos arranjados. Tudo como manda o figurino. Ou quase tudo…

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Quando tinha 18 anos, o pai arrumou o pretendente ‘perfeito’ e ela disse ‘não’. À partir desse dia a coisa azedou. Ela saiu de casa, enfrentou a grande Deli e ali começou a vida do zero. O pai ainda tentou reorganizar o casamento, mas novamente, ela foi taxativa. Na capital ela chegou a comandar a produção de  uma fábrica de tecidos e assim pôde sobreviver e mobiliar seu cantinho, ponto de encontro dos amigos.

Trabalho vai, trabalho vem, entre uma pausa e outra, ela conheceu Arun, com quem é casada há 5 anos. Só um pequeno detalhe, sua família inglesa-indiana é de origem cristã-católica. E a sociedade tradicional hindu não vê com bons olhos essas mistura de credos. A união criou força e o casório aconteceu mesmo com a desaprovação do pai. O casal juntou as economias e os amigos fizeram um multirão para ajudar. Como previsto, seu pai não compareceu, e contra sua vontade, a mãe, irmã e alguns parentes de Anwita, prestigiaram a simples e bela cerimônia hindu, como manda a tradição, ou parte dela pelo menos.

Com o apoio do maridão, o casal fez uns empréstimos pela cidade para que Anwita pudesse estudar em Londres. Ela já foi e já voltou e finalmente, as contas estão pagas. O curso foi uma super escola; vivência, bagagem profissional e pessoal. A readaptação à Índia provinciana acontece a cada dia. Seu pai ainda não conhece o genro. Ela, a mãe e a irmã se falam de tempo em tempo.

Após 5 anos, pela primeira vez desde o casamento, Anwita visitou o pai por motivo de saúde. Na medida do possível a conversa fluiu, mas Arun teve que esperar do lado de fora. O encontro dos dois ainda não aconteceu e não há planos para que aconteça. Já que os hindus acreditam em reencarnação, quem sabe numa próxima vida esse paizinho amado, do qual ela guarda tão boas lembranças, tenha mais tempo para digerir com o coração o bicho chamado ‘diferença’ e o bicho mor, rei da selva de pedra chamado ‘tolerância’... Tolerância e respeito pelas diferenças começam dentro de casa, meu povo. É o que nós esperamos e desejamos ao mundo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cinema Portátil

Isso mesmo, tecnologia 100% indiana. Já vem com rodinhas, pode ser transportado para os principais pontos turísticos de Deli e funciona com uma manivela tocada pelo seu proprietário.

O ‘filme’ é uma colagem de fotos de revistas que são passadas em sequência com uma super trilha sonora indiana. Por 10 rupees (menos de R$ 0,50) você pode ver através das lentes desta caixa mágica e usar a criatividade para criar sua própria história durante os poucos e divertidos minutos de sua duração.

Um bom exemplo do jogo de cintura do povo indiano na hora de defender o pãozinho de cada dia.
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Programa cultural

Hoje tivemos a companhia especial da nossa amiga Anwita, além de um belo dia ensolarado, presente em dose dupla, não poderia ser melhor. Pegamos o Tuk Tuk rumo a Galeria Nacional de Arte Moderna, onde tivemos a oportunidade de ver a exibição do arquiteto e escultor indiano Anish Kapour.

Nascido em Bombaim (Mumbai), Kapoor viveu e trabalhou em Londres desde o início dos anos 70 quando mudou-se para estudar arte, primeiro no Colégio Hornsey de Arte e depois na Chelsea School of Art and Design.

As obras de Kapoor são freqüentemente simples, no formato de curvas gigantes, geralmente monocromáticas e coloridas. Na maioria das vezes, a intenção é envolver o espectador, produzindo assombro pela sua dimensão e beleza simples, evocando o mistério através das cavidades das obras no escuro, também pelo tato e fascinação de suas fachadas reflexivas.
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Fontes – Sentido horário: 1 – Saatchi Gallery website, 2 - Nottingham Playhouse, 3  - Performance Structures and Public Art Fund, 4 Anish Kapoor website


Seguimos para o Jardim Lodi, um oásis no coração da capital, ponto de parada para recarga das baterias. Os jardins e monumentos medieval construídos entre os séculos 15 e 16, dão um charme único ao parque. Existem várias tumbas no local, além da mesquita Bara-Gumbad (1494) erguida em pedras e azulejos coloridos.
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Resolvemos andar do parque até nosso próximo destino, o bazar Dilli Haart. Apesar do sol forte, a caminhada pelas surpreendentes ruas arborizadas da região foi uma boa pedida.

Localizado bem no centro de Nova Deli, Dilli Haat é o paraíso dos turistas com seu artesanato  diversificado e praça de alimentação que cobre grande parte da culinária do país. Espalhado por 6 hectares de terra, o mercado a céu aberto está situado sobre o Sri Aurobindo Marg, em frente ao mercado INA. Já são mais de 60 barracas e pequenas lojas dentro do complexo. Para expor no local, é preciso ficar na fila. O espaço é viabilizado por 15 dias, depois disso é realocado para que outros artesãos também tenham a oportunidade de mostrar e vender seus produtos.
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Uau… que dia comprido! Ainda não satisfeitos com a maratona cultural, esticamos nossas perninhas até o Gurudwara Bangla Sahib, construído em 1783, dizem ser a casa de culto Sikh mais proeminente de Deli.

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Situado perto de Connaught Place, em Nova Nova Deli, o templo é imediatamente reconhecível pela sua impressionante cúpula dourada. O Siquismo é uma religião monoteísta fundada no século 15 no Punjab como resultado de um sincretismo entre elementos do hinduísmo e do misticismo do islão. É a quinta maior religião organizada no mundo e uma das que mais cresce.

Chega de fazer turismo por hoje! Finalmente chegou a hora do jantar. Outro tuk tuk, mais uma meia horinha para cruzar a cidade e fazer a merecida pausa para o lanche. Estamos exaustos e depois de amanhã o dia será compriiido, serão umas 12 horas de estrada rumo a Dharamsala… já estou me preparando psicologicamente aqui, cenas do próximo capítulo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Conhecendo o território

O dia de hoje começou bem desacelerado. Acordamos quando o olho abriu e olha que isso demorou a acontecer. Confesso que fiquei surpresa. Se vocês vissem nossa acomodação atual, iriam entender (risos)…

Depois da recepção super querida dos nossos amigos, ficou mais fácil encarar a cidade grande, onde tudo acontece em proporções gigantes. Começamos o dia num restaurante local, onde experimentamos um curry vegetariano com arroz e pão fresco. Como vai muita pimenta em tudo, nossa escolha foi baseada nas opções mais leves de temperos; paneer, um queijo com cara de tofú com molho de tomate e também batata com ervilha ao curri. Mesmo assim, é de fazer o nariz escorrer.
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Barriga cheia, pé de cachorro na areia! À tarde, tivemos nossa primeira real impressão de ter chegado na super povoada capital da Índia. A estação de metrô, Chandni Chowk já chama a atenção pelo tamanho, outro fato curioso é que existem detectores de metal e revista individual em cada estação. Existe fila masculina e feminina, e as mulheres têm direito a um cantinho com mais privacidade na hora do baculejo. Todo esse processo faz com que na hora do rush, as filas das estações fiquem quilométricas.

Os vagões transbordam de tanta gente, mas mesmo assim, ainda é um tumulto organizado. Descobrimos também que o vagão da frente, na ponta do trem, é destinado às mulheres. Sob a vigilância de uma guarda feminina, parece que todo mundo respeita a atual estrutura. A influência britânica no ‘underground’ é fortíssima e determinadas estações lembram Londres.

Hoje nos aventuramos por um trecho da parte antiga de Deli - Old Delhi, repleto de barraquinhas de comida e roupa, ambulantes e muito trânsito; bicicletas, ônibus, carros, algumas vacas e os engraçadinhos tuk tuk verde amarelo motorizados, aqui também chamados de autorickshaw. Nosso destino era o Red Fort, uma cidade fortificada construída no século 17  pelo imperador Mughal Shah Jahan.
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O lugar serviu como a capital do Mughals até 1857, quando o imperador Mughal Bahadur Shah Zafar foi exilado pelo governo britânico da Índia. Hoje em dia o local é bem turístico, assim como um poderoso símbolo de soberania nacional. Todos os anos, no Dia da Independência, o Primeiro Ministro da Índia levanta a bandeira do país em frente ao portão principal do forte. O complexo foi designado pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 2007. Para nossa tristeza, o lugar não está aberto a visitação e tivemos que nos contentar com as fotos do portão.

Por sorte, estávamos perto da mesquita Jama Masjid, também na parte antiga de Deli, próximo ao  Bazar Chawri Road. Esta é a maior  e mais conhecida mesquita da Índia, já que Deli abriga grande parte da comunidade muçulmana do país. A mesquita também foi encomendada pelo imperador Mughal Shah Jahan, que construiu o Taj Mahal, e concluída no ano 1656 dC.
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Belíssima arquitetura, com um pátio aberto que abriga harmoniosamente povos de várias religiões. Uma grande diversão para os olhos. Seja hindu, budista, islâmico, cristão, tibetano ou qualquer outra escolha, aqui há espaço para todos os credos.

Fonte: Secretaria de Turismo da Índia e Lonely Planet India 2009

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Agora é India

O período que passamos no Nepal foi fantástico e já estamos com saudades, mas agora é hora de desbravar a Índia. Nosso primeiro destino é Deli.

Anwita e Arun, um casal de amigos que moram na cidade foram nos buscar no aeroporto. Não poderia ser melhor, chegar num país novo com pessoas do local pra te receber é um luxo.

À tarde já tivemos uma boa surpresa, quando estávamos passeando por Connaught Place, região central e turística da cidade, nos deparamos com a Segunda Parada Gay de Deli. Comparada aos eventos europeus ela ainda é uma criança, com proporções bem menores, mas não deixa de ser interessante.

Foi legal ver que os direitos humanos e de escolha estão sendo mais respeitados por aqui. Até pouquíssimo tempo, manifestações como esta eram consideradas ilegais no país. Apesar da evolução, a situação ainda não é das melhores para os homossexuais do país e a maioria ainda sofre pesada discriminação e muitas vezes são vítimas de agressões em casa e também nas ruas.

Alegria, criatividade e muita cor estão sempre presente nestes eventos, mas aqui era possível sentir também um pouco de apreensão, com muita gente preferindo cobrir suas caras, evitando assim dores de cabeças no dia seguinte. Para garantir que tudo corresse sem problemas, a manifestação terminou em uma rua no centro de Nova Deli, em frente a uma base da polícia que garantiu um final tranquilo e sem repressão aos manifestantes.
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De lá seguimos para ‘Delhi Gate’, um memorial em homenagem aos soldados mortos na Primeira Guerra Mundial. O lugar a noite é bem bonito, mas fomos novamente surpreendidos por algo que não esperávamos por aqui… Uma banda militar tocando rock & roll da pesada, acredita? Isto é o que podemos chamar de Nova Deli. Aínda tivemos tempo para curtir alguns petiscos indianos nas barraquinhas em volta do memorial. Pimenta que não acaba mais.
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